15 de outubro de 2017: o dia em que as chamas ameaçaram Mira

Nove anos depois, a memória dos grandes incêndios que devastaram o concelho continua a lembrar a dimensão da tragédia e a capacidade de resistência da população.

O dia 15 de outubro de 2017 permanece como uma das datas mais dramáticas da história recente do concelho de Mira. Há nove anos, um incêndio de grandes proporções, com origem na zona de Quiaios, na Figueira da Foz, avançou pela região, atingiu Cantanhede e chegou a Mira, deixando um rasto de destruição florestal e ameaçando habitações e bens.

A situação agravou-se ao longo da tarde e da noite. Em Mira, as chamas aproximaram-se de casas junto à Estrada Nacional 109 e avançaram também na zona do Seixo, no acesso à praia. Perante o perigo, a Câmara Municipal aconselhou os habitantes das urbanizações Miroasis e Miravillas a abandonarem as suas casas e a dirigirem-se, calmamente, para o centro da Praia de Mira.

O fogo propagou-se num cenário de enorme dificuldade para as populações e para os meios de socorro. Na região, a violência das chamas provocou igualmente danos significativos no concelho vizinho de Cantanhede, onde foram destruídas instalações industriais, habitações e outras estruturas. O parque de campismo da Praia da Tocha chegou a ser evacuado.

A dimensão da catástrofe ultrapassou largamente as fronteiras locais. A 15 de outubro, a Proteção Civil registou 443 ocorrências de incêndio em Portugal. Os fogos que atingiram o país nesse dia provocaram dezenas de mortos, centenas de feridos e a destruição de habitações, empresas e vastas áreas florestais.

Uma floresta ferida, uma comunidade que resistiu

Em Mira, os efeitos do incêndio prolongaram-se muito para além dos dias de combate às chamas. A floresta, uma das maiores riquezas naturais do concelho, sofreu perdas profundas. Segundo dados do Plano de Gestão Florestal das Dunas e Pinhais de Mira, o incêndio de 15 de outubro de 2017 destruiu cerca de 2956 hectares, correspondentes a 54,3% da superfície total do Perímetro Florestal das Dunas e Pinhais de Mira.

A recuperação exigiu tempo, investimento e mobilização coletiva. Em outubro de 2018, a Câmara Municipal assinalou o primeiro aniversário da tragédia com uma iniciativa de reflorestação na zona ardida entre as captações de água da Lagoa e da Praia de Mira. A ação envolveu voluntários, juntas de freguesia, associações, trabalhadores municipais e particulares, numa demonstração de solidariedade e vontade de recuperar a paisagem destruída.

Anos mais tarde, o município avançou também com um projeto de reflorestação de grande dimensão, destinado a recuperar áreas afetadas pelo fogo e a promover a regeneração do património florestal.

Recordar outubro de 2017 é, por isso, mais do que revisitar imagens de destruição. É prestar homenagem a todos os que combateram as chamas, aos populares que ajudaram a proteger pessoas e bens e a todos os que contribuíram para a recuperação do concelho.

Nove anos depois, a memória daquele dia continua a ser um apelo à prevenção, à gestão responsável da floresta e à preparação das comunidades para enfrentar o risco de incêndio.