A geógrafa Raquel Soeiro de Brito esteve, no domingo, 26 de julho, no concelho de Mira para a inauguração de uma exposição de fotografia, na Praia de Mira, e para a apresentação, em Mira, da edição fac-similada do seu livro “Palheiros de Mira – Formação e Declínio de um Aglomerado de Pescadores”, publicada pela Câmara Municipal de Mira.
A obra, originalmente editada em 1960, resultou do estudo realizado pela geógrafa sobre a comunidade piscatória dos então Palheiros de Mira. A autora, hoje centenária, foi recebida com manifestações de carinho, nomeadamente por habitantes da Praia de Mira e antigos alunos, que ainda a recordavam do período em que realizou o seu trabalho de campo.

Durante a manhã, Raquel Soeiro de Brito inaugurou, no Museu Palheiro de Mira, na Praia de Mira, a exposição “Um Chão de Areia”, constituída por várias fotografias da Fototeca do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Este acervo integra imagens da Praia de Mira e da sua envolvente, da autoria dos geógrafos Orlando Ribeiro, Raquel Soeiro de Brito e Ilídio do Amaral, realizadas entre 1948 e 1978. A exposição fica patente ao público até 26 de outubro.
À tarde, no Atrium Raul Almeida, em Mira, realizou-se a apresentação da edição fac-similada do livro, numa sessão que incluiu um momento musical pela cançonetista Simone e a exibição do documentário “Pêcheurs sans port”, realizado em 1952 por M. L. Jaqueline, com imagens da faina piscatória e da Arte Xávega.
A apresentação da obra esteve a cargo do professor Carlos Pereira da Silva, antigo aluno de Raquel Soeiro de Brito, tendo também intervindo o presidente da Câmara Municipal de Mira, Artur Fresco.
Na sua intervenção, a autora recordou os tempos em que estudou a comunidade local. “Mira [Palheiros] é uma terra que fica no coração das pessoas”, afirmou, evocando depois as imagens dos bois a puxarem redes e barcos e a azáfama de homens e mulheres na escolha do peixe, cenário que classificou como “cinematográfico” e “algo singular”.
“Quando venho a Mira já não encontro a Mira fantástica, com as casinhas a trepar pela mêda, mas continua com o seu espírito”, acrescentou.
No final houve uma sessão de autógrafos. A edição fac-similada, publicada pela Câmara Municipal de Mira, foi oferecida aos presentes.

